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27 Setembro de 2019 | 19h21 - Actualizado em 27 Setembro de 2019 | 19h20

Malanje, a rota do turismo

Malanje - Malanje, província do Centro Norte de Angola, é uma região detentora de inúmeros encantos turísticos e paisagens naturais, capazes de atrair turistas nacionais e estrangeiros, mas os investimentos para transformar essas potencialidades em riqueza real tardam a chegar.

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Malanje : Pedras do Pungo Andongo

Foto: J. Silva Pinto

Por Nelson Costa/Angop

A região detém diversos atractivos, com destaque para as quedas de Calandula, rápidos do Kwanza, Pedras Negras de Pungo Andongo, nestes pontos turísticos estão muito aquém do desejado.


Embora Malanje seja considerada uma rota para o turismo, a insatisfação ainda é evidente para os visitantes, pelo facto de não serem atendidas as preocupações dos cidadãos que queiram usufruir das suas belezas, porque as zonas turísticas carecem de serviços para acomodação, alimentação e entretenimento.

Por essa razão, o investimento público-privado é necessário, mas no entanto pouco se nota nessa vertente, o que inibe até certo ponto as visitas e consequente rentabilização das áreas turísticas, apesar dos reiterados apelos do governo ao empresariado nacional e internacional.

Um sinal de aproveitamento e rentabilização que se pretende pelo Executivo em relação ao turismo em Malanje é o Pólo de desenvolvimento Turístico de Calandula, criado por decreto presidencial número 54/11 de 24 de Março, mas que as obras consubstanciadas na criação de infra-estruturas de apoio à actividade turística, encontram-se paralisadas há mais de quatro anos por falta de verbas, uma situação constrangedora, segundo o administrador municipal de Calandula, Pedro Dêmbue.

O responsável realça que a paralisação da empreitada está a condicionar a implementação de muitos projectos, sobretudo privados, tendentes ao investimento, além de inviabilizar a rentabilização esperada dos pontos turísticos.

O projecto, que tem como principal atracção as quedas de Calandula, previa ainda a construção de zonas económicas, numa extensão de 200 hectares e a criação de serviços destinados a melhoria da qualidade de vida da população local e arredores.


A falta de investimentos e exploração regista-se também hoje nas cachoeiras de Kadiheke, localizadas a 10 quilómetros da sede municipal do Quela, uma vasta área de atracção turística, que carece de atenção especial, sobretudo no que toca à construção de uma estrada de acesso ao local.

A par das Cachoeiras de Kadiheke, o município do Quela é ainda detentora de outros pontos turísticos, como a vista da Baixa de Cassanje, o Miradouro e o Morro de Cabatuquila e uma pousada, entre outros, todos situados na comuna de Xandel, mas poucos visitados por falta de divulgação e de investimentos.

Outro sinal de interesse do governo da província de promover o desenvolvimento turístico foi a realização da Conferência Internacional Sobre Ecoturismo, em 2018, em Calandula.


Ecoturismo

Malanje detém um ecoturismo aceitável, sendo o Parque Nacional de Cangandala uma das grandes referências, pois é o habitat da Palanca Negra Gigante, única espécie de antílope no mundo existente na província, cuja visita de turistas não corresponde as expectativas, pois esperavam receber 100 turistas/ano, mas receberam apenas 20 turistas, maioritariamente estudantes da província de Malanje.

  

A expedição mais recente efectuada em Julho deste ano dá conta da existência de 15 Palancas Negras Gigantes que são controladas através do Sistema de Navegação por Satélite (GPS), para facilitar a localização e o acompanhamento da reprodução das espécies, numa iniciativa da Fundação Quissama (entidade gestora das áreas de conservação ambiental do país).

De acordo com o director da Fundação Quissama, Pedro Vaz Pinto, para o controlo dos animais através de GPS, foram aplicadas coleiras aos mesmos, para permitir a contagem e o contacto permanente com os fiscais, para além de garantir o estudo do seu comportamento.

Entretanto, a Fundação Quissama construiu um Santuário Turístico da Palanca, um projecto de promoção e divulgação do animal, que permitirá os visitantes ter uma vista real da espécie, cuja abertura segundo Pedro Vaz, está inicialmente prevista para o mês Outubro deste ano.

Actualmente o Parque Nacional de Cangandala controla 80 Palancas, em vias de reprodução, colocadas em Santuário, o que dá garantia da continuidade da espécie tida como desaparecida até 2009, altura da sua reencontrada.

Turismo Cultural

Nesse domínio regista-se também pouca valorização da região de Muculo-Angola, no município de Marimba, ponto turístico-cultural onde se encontram os túmulos dos Reis Ngola Kiluanje Kia Samba e Njinga a Mbande, soberanos do Reino do Ndongo e Matamba, que não acolhe turistas, devido ao avançado estado de degradação da estrada que dá acesso ao local, numa extensão de mais de 300 quilómetros.

Nessa região encontra-se ainda sob custódia do actual rei do Ndongo (Malanje), Buba Nvula Dala Mana, a espada, livros, corrente e outros instrumentos, bem como cinzas de uma fogueira que não apaga, símbolos do poder tradicional deixados pelo rei Ngola Kiluanje, usados para determinados fins, que constituem motivos de atracão, mas que não são visitados por turistas.

Enquanto isso, no município de Kunda-dia-base, a 172 quilómetros a noroeste da cidade de Malanje, encontra-se um monumento histórico dos mártires da Baixa de Cassanje, construído em 2016, um dos principais marcos e forma de honrar a memória dos heróis mortos durante o massacre perpetrado por colonialistas portugueses a 4 de Janeiro de 1961, outro sítio de atracão que carece de visitas.

No local foram erguidas várias campas em homenagem aos mártires sepultados em vala comum, com destaque para 4 sobas (Santos, Minguito, Capapa e Cabo), referências da chacina de 1961.

Além do turismo cultural, pois nela existe ainda as quedas de Carinda, pouco conhecidas pela população de Malanje e do resto do país, o que faz com que apenas os munícipes locais frequentem mas não regularmente, também por dificuldades de acesso.

O município de Calandula está entre os principais pontos do ecoturismo da província de Malanje, seguido de Cangandala e outros, porquanto a região é detentora de um enorme potencial ponto de observação de aves de diferentes espécies, com destaque para “Cocifa de Cabeça Branca”, a única ave do mundo que apenas existe nessa circunscrição e no Congo Democrático.

Essas particularidades deram lugar a realização, há um ano, da Conferência Internacional sobre "O ecoturismo e informação ambiental", no quadro da expedição de aviturismo levada a cabo em Angola por observadores de aves norte-americanos, que serviu para apresentar o potencial ecoturístico, da flora e fauna, bem como do património natural do país e da província de Malanje, em particular.

A realização desse evento, o primeiro no país, despertou o interesse de turistas nacionais e internacionais a conhecer o município e desfrutar do seu potencial eco-turístico e da sua fauna e flora, aspectos pouco destacados, tendo em conta que a região era apenas conhecida pela imponência das quedas de Calandula, de Musseleje e de Mbango-Anzenza.

Alojamento para turistas

A par de Malanje, os municípios de Calandula, Luquembo e Cacuso, excepcionalmente, são os únicos com infra-estruturas hoteleiras e similares, com maior capacidade de acomodação e gastronomia diversa para oferecer aos turistas.

Entretanto, de acordo com o director do Gabinete Provincial da Cultura, Turismo, Juventude e Desportos, Fernandes Cristóvão, Malanje vai ganhar ainda este ano o primeiro dos quatro hotéis da rede IU, afecta a empresa seguradora AAA, em construção nesta cidade, proporcionando assim mais espaços para acolhimento dos turistas.

Referiu que a questão do alojamento na província não é muito preocupante, na medida em que a rede hoteleira e similar cresceu consideravelmente, sendo que já há quartos para satisfazer a demanda dos visitantes.

Reiterou que a preocupação prende-se essencialmente pelo acesso e pouca exploração dos pontos turísticos, uma vez que muitos não são visitados nem rentabilizados, realçando haver políticas do governo da província para a inversão do quadro com a reabilitação das estradas e expansão dos serviços de energia e água as zonas de atracão.


“Reconhecemos que há pouco aproveitamento dos activos turísticos, mas ao Estado recai a responsabilidade de criar infra-estruturas para permitir os privados materializar os seus investimentos turísticos”, frisou.

Relativamente ao ponto turístico-cultural de Muculu-Angola onde se localizam os túmulos dos Reis Ngola Kiluanje Kia Samba e Njinga a Mbande, o director disse haver intenção do Ministério da Cultura em construir um memorial, com salas de conferências e outros atractivos.


As quedas de Calandula, localizadas no município com o mesmo nome, constituem um dos principais pontos de atracção e faz parte das sete maravilhas de Angola, com uma extensão de 410 metros linear e 105 metros de altura.


As Quedas de Calandula estão localizadas no rio Lucala, o mais importante afluente do rio Kwanza e situa-se a cerca de 80 quilómetros da cidade de Malanje, sendo o ponto turístico actualmente mais visitados por turistas nacionais e estrangeiros, sobretudo nos fins-de-semana e feriados.

As Pedras Negras de Pungo-a-ndongo, localizadas no município de Cacuso, a mais de 100 quilómetros da cidade capital, também se destacam com importante pólo de atracção turística de Malanje em particular e de Angola em geral.

As Pedras Negras são formações rochosas, com milhões de anos que se elevam bem acima da savana que as rodeia. Na região se encontram as pegadas da Rainha Njinga a Mbande numa das rochas e as ruínas da antiga Fortaleza de Pungo-a-ndongo, erguida pelos portugueses em 1671.

Os rápidos do Kwanza no município de Cangandala, o rio Mufuma, em Kiwaba Nzoji, entre outros, são as “Praias” alternativas de Malanje, devido à ausência do mar na província, porque além dos banhistas, são também frequentados por pescadores artesanais e apreciadores dos encantos da confluência do rio Kwanza, o maior do país.

O rio Malanje, na cidade com o mesmo nome, capital da província, poderá trazer de volta o ambiente de atracção turística perdido há mais de uma década por conta da invasão do leito por plantas de grande porte e outras espécies aquáticas que foram surgindo por falta de manutenção.


O projecto para o desassoreamento do rio, cuja pedra foi lançada em Março deste ano, está orçado em 45 milhões de dólares norte-americanos, pelo governador de Malanje, Norberto dos Santos, numa iniciativa presidencial inserida no âmbito da requalificação da cidade de Malanje que vai culminar com a construção de uma marginal e vários pontos turísticos.


A obra, com uma extensão de três quilómetros, vai consistir na limpeza da albufeira, construção de represas, melhoria da drenagem das águas pluviais e a instalação de comportas metálicas mecanizadas de controlo do caudal do rio, para conferir nova imagem à cidade e atracção dos visitantes.
 

A província conta com cerca de dez hotéis, um dos quais de 4 estrelas e várias unidades similares, entre pensões, hospedarias e resorts, espalhados pela cidade de Malanje e municípios de Calandula, Cacuso, Luquembo, Mucari, Cangandala e outros.

A única unidade de quatro estrelas, denominado Palanca Negra, fica no centro da cidade de Malanje, ao longo da estrada nacional 230, principal avenida da cidade e ocupa uma área de 200 mil metros quadrados com três edifícios e conta com 140 quartos com uma decoração moderna, dos quais quatro suites presidências.
 

Assuntos Turismo  

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