Angop - Agência de Notícias Angola PressAngop - Agência de Notícias Angola Press

Ir para página inicial
Luanda

Max:

Min:

Página Inicial » Notícias » Lazer e Cultura

12 Outubro de 2020 | 19h52 - Actualizado em 12 Outubro de 2020 | 21h18

Agentes culturais soltam grito de socorro

Luanda - O mercado do entretenimento atravessa um dos seus piores momentos em Angola, com milhares de agentes culturais desprovidos de renda e várias empresas à beira da falência.

Envia por email

Para compartilhar esta notícia por email, preencha os dados abaixo e clique em Enviar

Corrigir

Para reportar erros nos textos das matérias publicadas, preencha os dados abaixo e clique em Enviar

agentes culturais com dificuldades financeiras

Foto: Rosário dos Santos

Apesar de já terem "luz verde" do Governo para realizar eventos em salas fechadas, depois de sete meses paralisados, os profissionais do sector afirmam que o quadro ainda é "sombrio".

Para reduzir o impacto da Covid-19 neste segmento social, o Governo Angolano viabilizou a reabertura das salas de espectáculo, desde que tenham, essencialmente, os assistentes sentados e a cumprir o distanciamento físico.

A luz do novo diploma, limita-se, numa primeira fase, a presença de 150 espectadores sentados no máximo ou 50% da capacidade do recinto.

No entender dos promotores de espectáuclos musicais, teatrais e entre outros, a medida é bem-vinda, mas as limitações impostas pelas autoridades a tornam quase ineficaz.

Apontam, por isso, como solução, a estruturação e implementação de um "pacote financeiro", para que se possa reerguer o sector, tendo um fundo de maneio para reiniciar às actividades.

Em declarações à ANGOP, a propósito da reabertura das salas de espectáculos, varios agentes culturais afirmam estar sem recursos para tocar o negócio, havendo até quem tenha recorrido a empréstimos para sobreviver.

Segundo Karina Barbosa, directora geral da produtora Step Models, 2020 está a der um ano bastante atípico e com desafios enormes.

"Qualquer medida é melhor do que medida alguma (...). Por mais que as empresas tenham um fundo de emergência, sete meses sem facturar, e com todos os custos fixos com funcionários, rendas de instalações, impostos, despesas de manutenção, internet, é muito duro para qualquer negócio", desabafa.

De acordo com a promotora, 50 por cento da lotação da capacidade seria bom, frisando que o problema é o limite máximo de 150 pessoas.

"Para se fazer um evento há imensos custos de produção, e com apenas 150 lugares para se venderem bilhetes, o custo do show fica muito caro para o cliente", expressa.

"Imagine que a produção do evento custe 10 milhões de kwanzas, para uma sala de apenas 150 pessoas, cada bilhete irá custar aproximadamente 66.666 Kz, e este valor por pessoa é muito elevado", sublinha.

O promotor Yuri Simão alinha do mesmo pensamento, discordando do número limite de 150 imposto pelas autoridades para cada show.

"Vejamos, 150 pessoas, estamos a falar de público ou da totalidade de pessoas no evento? Só de produção e músicos eu levo perto de 50 pessoas. Mais público, aí teria de vender 100 ingressos?", questiona-se o promotor.

Entretanto, promotores de eventos e artistas do Lobito, província de Benguela, entre eles Edson Renato e Francisco Rui Martins, reagem com grande satisfação à decisão do governo.

Com este passo, Edson Renato diz que tem já em agenda a segunda edição do seu show intitulado “Rock in La Rio Bar”, no próximo dia 31 de Outubro, no município da Catumbela.

Para o efeito, vai mobilizar dois grupos musicais e artistas individuais, dando a possibilidade de os fazedores de arte voltarem ao trabalho.

Quanto às medidas de biossegurança, afirma que estão acauteladas, acrescentando que vai observar o limite de gente dentro do recinto, bem como a hora do encerramento do show.

Já Francisco Rui Martins diz que os profissionais deste ramo tiveram grandes prejuízos nestes sete meses, daí ver com bons olhos a medida.

"Estamos ansiosos para retomar o trabalho e contribuir para a manutenção do movimento cultural, não esquecendo de cumprir com as medidas de biossegurança e o distanciamento social", expressa o promotor.

Apesar das restrições impostas pela pandemia, Francisco Rui Martins apela aos amantes da música para enfrentá-la com alegria, não esquecendo a responsabilidade individual.

Para os homens de cultura na região leste do país, a reabertura das salas significa uma lufada de ar fresco no negócio do espectáculo.

O promotor Zebedeu aplaude a decisão do Executivo e promete trocar impressões sobre as medidas de biossegurança e obrigar as pessoas a distanciarem-se uma das outras.

Leia também
  • 11/10/2020 17:04:16

    Tchiema defende mais valorização do folclore

    Saurimo - O músico e compositor Gabriel Tchiema defendeu hoje, em Saurimo, Lunda Sul, um trabalho conjunto entre o Ministério da Cultura e os promotores de eventos, para a valorização, divulgação e aceitação da música folclórica no mercado nacional.

  • 09/10/2020 11:46:18

    Paulo Flores no palco da Philamornie de Paris

    Luanda - O músico angolano Paulo Flores tem agendado para este sábado, 10, um show ao vivo, na Philamornie de Paris, França.

  • 09/10/2020 11:26:42

    Gabriel Tchiema anuncia quarto disco

    Saurimo - Oito anos depois do "Mingole", o músico e compositor Gabriel Tchiema anunciou, nesta sexta-feira, em Saurimo (Lunda Sul), o lançamento, em 2021, da sua quarta obra discográfica.