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12 Agosto de 2020 | 12h44 - Actualizado em 12 Agosto de 2020 | 12h44

Angola em lágrimas pela morte de Burity

Luanda - Dois dias depois da morte de Waldemar Bastos, por doença, o país voltou a "acordar", esta quarta-feira, com a triste notícia do passamento físico de outra referência da música angolana: Carlos Burity.

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Carlos Burity morreu hoje, vítima de doença

Foto: Nelson Malamba

O músico morreu esta manhã, em Luanda, aos 68 anos de idade, também por doença, deixando um vasto repertório que integra, entre outras canções, "Carolina", "Onjala Yeya" e "Monami".

Tal como na segunda-feira, a notícia abalou os amantes da música angolana, que expressam, nas redes sociais, várias mensagens de pesar.

Desde as primeiras horas da manhã, agentes culturais e fãs usam as redes sociais para ressaltar a qualidade de Carlos Burity, destacando o seu contribuito à cultura nacional.

Na sua página de Facebook, a cantora Patrícia Faria lembra o artista com um trecho do tema "Canção Nostalgia", do CD "Zuela o Kidi".

"Porque foste embora assim sem nada dizer, sem tempo sequer para um beijo, como suportar agora tanta tristeza, como acalmar esta ansiedade... canção nostalgia, canção desespero, em tudo que queria hoje nada espero.  Quanta tristeza (...) O dia amanheceu mais pobre (...)", expressa a cantora.

Por sua vez, o também músico Dom Caetano lamentou o facto de, em menos de dois dias, o mundo musical angolano ter ficado mais pobre.

"Num curto espaço de dias perdemos duas grandes estrelas", comentou o artista, em declarações à Angop, esta manhã.

O mesmo sentimento é exteriorizado pelo gestor do Centro Cultural e Recreativo Kilamba, Estevão Costa, para quem Angola perde mais uma referência musical, figura que muito contribuiu para o enraizar da música angolana.

"Mais uma figura, uma referencia do mosaico cultural angolano, nos deixa", reforçou.

Já a escritora Isabel Ferreira escreve no Facebook, não sei se oro, não sei se choro. Se grito não me ouves! Se canto as lágrimas soltam se como pétalas caídas. Assim é demais".

O jornalista António Campos usou, igualmente, a sua página de Facebook para manifestar a sua tristeza, escrevendo "A sua melodia e a mensagem fazem até a mais forte da alma soltar o sentimento. Agora pior será".

Karina Barbosa, da produtora Step Model, considera surreal (...).

"Mais uma perda dura para a cultura nacional (...). Mais uma estrela que se apaga, mais uma voz de ouro que se cala, um ícone de quem Angola se despede cedo demais...", destaca.

O investigador cultural Domingos Nguizane também escreve no Facebook "Acabo de receber uma nova e triste notícia, mais um Gigante da música angolana. Faleceu Carlos Burity".

Por sua vez, o promotor cultura Yuri Simao lembra o artista, tal como o fez Patrícia Faria, com excertos de "Canção Nostalgia". "Até já doutor Carlos Burity", expressa.

 O jornalista Cabingano Manuel escreveu "Em menos de uma semana, mais uma perda irreparável", enquanto o seu colega de profissão Reginaldo Silva remata, também no Facebook, "O semba é a nossa bandeira".

(Por dentro)

Carlos Fernandes Burity Gaspar iniciou-se na música em 1968. Gravou, em 1974, sucessos como "Ixi Iami" e "Recado".

Natural de Luanda, onde nasceu em 1952,  integrou, em 1968, a formação pop–rock Cinco mais um, com Catarino Bárber e José Agostinho, o último do Duo "Missosso", com Filipe Mukenga.

Em 1974, grava, com o Grupo Semba, uma selecção de músicos angolanos que ficou na história da Música Popular Angolana, o primeiro single, que inclui os temas "Ixi Iami" e "Recado".

Neste mesmo ano, dividiu o palco com David Zé e Artur Nunes, num grande espectáculo realizado na Cidadela Desportiva de Luanda, promovido pelo empresário Palma Fernandes e Ambrósio de Lemos Pereira Gama (ALPEGA).

O single "Inveja" e "Memória de Nelito" surge no mercado em 1975, enquanto o disco "Especulador", um tema de pendor satírico que marca a entrada de Carlos Burity no universo da música de intervenção, e a canção "Desaparecimento de Moreno", gravada com o agrupamento os Kiezos, surgem em 1976.

Em 1983, junta-se ao Canto Livre de Angola, projecto do cantor brasileiro Martinho da Vila e do empresário Fernando Faro, que levou ao Brasil nomes como Filipe Mukenga, André Mingas, Dina Santos, Pedrito, Elias dia Kimuezo, Rebita do Mestre Geraldo, Mamukueno e Joy Artur, acompanhados pelos Semba Tropical.

No mesmo ano, participa, integrado no mesmo projecto, na gravação do LP "Semba Tropical in London", interpretando, com assinalável sucesso, os temas "Mon’ami" e "Tona kaxi".

O álbum "Carolina" surge em 1991, com os temas "Uabite Boba", "Maria Alukaze" , "Narciso" (de Mamukueno), "Carolina", "Monami", "Adeus" (Filipe Zau) e Kilundo (Filipe Mukenga).

Em 1994 surge com Angolaritmo, que aparece sob a forma de CD em 1994, pela editora VIDISCO, com o título "Ilha de Luanda".

Carlos Burity tem ainda publicados os álbuns "Wanga", "Ginginda", "Massemba", "Zuela o Kidi", "Paxi Iami" e “Malalanza”.

Assuntos Angola  

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